Você também acha que mudou tanto assim?!

Olho hoje para mim e chego a duvidar que as reações, respostas, teorias e concepções pertençam a mim.

Antes de ser mãe tinha teorias, achismos e planos tão diferentes, tão meus, tão egoístas também! Confesso, eram bem imaturos, mas estavam de acordo com minhas experiências e vivências!

Como fui mãe aos 24, não sei ao certo se a maturidade me faria mudar automaticamente e a maternidade acelerou o processo ou se a maturidade vem com a maternidade de forma diferente e mais plena. Sei que aprendi muito ao longo desses quase 9 anos de maternidade e mudei bastante a forma de ver o mundo e as pessoas que o habitam.

Passei por diversos processos: o da euforia de ser mãe, o de achar que a minha filha e a minha maternidade eram as coisas mais importantes e tinham que parar o mundo (esse processo durou muito pouco, porque eu sempre tive preguiça), de achar que a maternidade era a minha única função no mundo e que já estaria de bom tamanho se eu a realizasse “com louvor”(como diria meu avô) – e para isso, podia andar desarrumada e descabelada, que estava tudo certo, afinal, mãe não tem tempo para mais nada. Também passei pela fase de desespero profissional, aquela sensação horrível de que não estamos produzindo nada para o mundo. Nos “terribles” das Marias também passei pelas fases (e as vezes ainda passo) de ficar um pouco perdida até criar uma linha de raciocínio e de lidar com o desafio por hora imposto, de entender do que as minhas filhas precisavam naquele momento.

Independente das fases que passei e pelas quais muitas de nós passamos, penso que todas serviram e servem para nos fazer ser quem somos agora. Como continuar a sermos as mesmas de tempos atrás? Precisamos mesmo evoluir, aprender nos desafios, nas dificuldades, nas descobertas. Aliás, aprendemos muito quando damos espaço para isso!

Com o tempo aprendemos que o 8 e o 80 são extremos demais! Que dá para ser mãe, profissional, esposa, filha e amiga, sem se esquecer de ninguém e sem se cobrar tanto. Aprendemos que não somos nós as únicas pessoas passíveis de erros perdoáveis! Todos erramos, começando por nós e dessa forma, todos merecem o perdão. Não somos melhores do que ninguém e nossos filhos, embora sejam as crianças adoráveis e amáveis – mais importantes do mundo para nós, são crianças comuns para o mundo. Gratidão e educação são virtudes que passamos a valorizar mais e a ensinar também!

Continuamos a ser filhos, mas aprendemos muito mais sobre os nossos pais e sobre a gratidão que devemos ter por eles, inclusive no trabalho que demos, na fibra que tiveram e no amor que compartilharam conosco. Ah… mas eles erraram, afinal, lembra quando deram aquela bicicleta para sua irmã e não deram para você? Pois é… será que erraram? Ou será que cometemos a mesma justiça que eles.

Entendi que o senso de justiça é bem diferente do que eu tinha, e olha que aos 24 eu já era advogada. Aliás, percebi que no mundo ainda precisamos muito aprender sobre o senso de justiça! Afinal, o que é justo para um, é completamente injusto para o outro!

Aprendi sobre política! Como não? Algo que eu achava que era tipo torcer para um time de futebol se mostrou bem mais complexo e confesso que ativei algo que nem sabia que existia em mim, uma vontade enorme de mudar o mundo em que vivemos e que vivem as minhas filhas. Aprendi também que essa mudança deve começar por mim e de dentro da minha casa!

Falando assim, parece tudo tão óbvio! Como eu já não sabia de tudo isso?

As nossas vivências servem para isso! Para nos moldarem! Por mais duras que possam parecer a princípio, não se engane, você tem algo a aprender com a dor e com a dificuldade que está a passar. E acredite, a dificuldade e a dor vão passar, sempre passam! Passarão para você também, assim como: a dúvida, o medo, a angústia e as noites em claro.

E como será que estaremos daqui mais 9 anos? Quem será responsável por mais outras mudanças? Nós mesmos, com as nossas conclusões, permissões e escolhas!

 

Bela Aires

Bela Aires administrator

Desde que me tornei mãe passei a me interessar por todos os assuntos referentes à infância e maternidade. Compartilho aqui, com você!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: